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Como a coleta excessiva de dados pelos novos aplicativos impactam nossa vida

Atualizado: 25 de jul. de 2023

Que as redes sociais já fazem parte da nossa vida não é segredo para ninguém, mas você sabe quais termos são aceitos por você ao baixar esses aplicativos? E como a coleta excessiva de dados é prejudicial para a sua segurança?

Recentemente fomos impactados com duas grandes novidades no mundo digital, o Threads que é um aplicativo muito semelhante ao Twitter. Ele foi desenvolvido pela empresa Meta, com o intuito de concorrer diretamente com a rede social de Elon Musk.

Essa nova plataforma teve tanto sucesso que ultrapassou 100 milhões de usuários em apenas cinco dias, esse é um número realmente surpreendente. Porém, após alguns dias o volume de usuários ativos caiu consideravelmente.

Pois a última empresa a conseguir bater esse recorde anteriormente, havia sido o ChatGPT que demorou cerca de 2 meses para alcançar esse número.

Além do Threads, nas últimas semanas fomos surpreendidos por uma enxurrada de fotos de bebês e mulheres grávidas em nossas redes sociais. Todas geradas por Inteligência Artificial, através do aplicativo Remini.

Mas o que esses aplicativos têm em comum? Todos eles precisam do seu aceite inicial sobre os termos de uso. Entretanto, alguns desses termos podem esconder uma coleta de informações pessoais que podem colocar nossos dados em risco.

Por que essas plataformas precisam de tantas informações?

Os dados coletados por ambas são invasivos e desnecessários, além de irem contra a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Essas informações podem ser utilizadas para direcionar anúncios de acordo com as suas preferências. Além disso, elas podem ser vendidas para terceiros, o que também fere as leis de proteção de dados.

A LGPD nada mais é que uma Lei criada para proteção dos direitos fundamentais de liberdade e privacidade, ela define o que são dados pessoais e como algumas dessas informações podem ser usadas.

O seu intuito principal, é proteger os brasileiros de ataques cibernéticos e punir as empresas que desrespeitam essas regras. Esse é um tema grave, que tem gerado preocupações dos órgãos reguladores.

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), abriu no dia 07 de julho de 2023 alguns estudos para analisar o tratamento dos dados pessoais pela META, por meio da plataforma Threads.

Quais dados são coletados e por que isso é tão grave?

Quando você instala o Threads, e aceita o seu termo de uso sem nem ao menos ler as suas especificações, saiba que está disponibilizando dados e informações que vão além do seu nome e quantos amigos você tem nas redes sociais.

A lista de informações pessoais coletadas pela plataforma, está acima dos seus concorrentes e inclusive do próprio Instagram, que pertencem ao mesmo grupo.

São elas:

  • Histórico de compras;

  • Conteúdo do usuário;

  • Localização;

  • Telefone;

  • Endereço;

  • E-mail;

  • Contatos;

  • Diagnósticos de falhas do dispositivo;

  • Histórico de busca;

  • Informações financeiras;

  • Identificadores;

  • Informações de uso;

  • Histórico de navegação;

  • Histórico de saúde e condicionamento físico;

  • Informações confidenciais.

Destaque para o último dado da lista, onde não existe nenhuma especificação de que informações confidenciais são essas, o que pode abrir brechas para coletar dados que nem ao menos você terá ciência.

O que diz a ANPD sobre a coleta excessiva de dados?

O órgão entrou em ação, devido às preocupações levantadas pela imprensa e por especialistas em Privacidade e Proteção de Dados, sobre essas possíveis violações à LGPD.

As alegações é que possivelmente a plataforma está tratando dados pessoais de maneira desproporcional, sem nenhuma finalidade específica, além disso, a coleta de dados sensíveis das pessoas é algo que descumpre a Lei Geral de Proteção de Dados.

Todas essas informações não possuem transparência suficiente e hipótese legal que ampare os usos dessas informações, afinal os usuários acabam sendo expostos sem nem ao menos terem ciência dos riscos que estão correndo.

Remini e uso de fotos gerados por Inteligência Artificial

Outro aplicativo que tem chamado muita atenção, é o Remini, ele utiliza inteligência artificial para simular imagens realistas de pessoas grávidas, dos seus futuros bebês e até de como será a aparência das pessoas daqui a alguns anos.

Essa brincadeira, dominou as redes sociais, onde milhares de usuários postaram suas fotos geradas através do aplicativo. Entretanto, o que muitos não sabem é que essa onda de imagens realistas teria um custo muito alto em termos de dados.

Saiba que ao utilizar a plataforma, você permite que ela colete suas informações pessoais. Esses dados são enviados para empresas parceiras, como provedores de armazenamento, fornecedores de serviços de marketing, além de plataformas de publicidade.

Por isso, a empresa tem recebido críticas dos especialistas, que entende essa coleta de dados como excessiva, sendo uma ameaça à privacidade na vida das pessoas. Afinal um aplicativo que gera imagens não deveria conter esse número de permissões.

Sendo assim, sem nem saber ao certo, as pessoas compartilharam informações como nome, endereço de e-mail e números de telefones. Todos esses dados são compartilhados com empresas parceiras do Remini, que podem utilizá-las para fins de marketing e publicidade.

Assim, todos esses dados podem ficar armazenados por pelo menos 10 anos na plataforma. Dessa forma, você concede que suas informações pessoais fiquem na mão dessas empresas por vários anos.

Por que a coleta excessiva de dados viola a LGPD?

Quando o assunto é cibersegurança, é importante ficar atento a todas as questões que envolvem os dados de cada pessoa. Afinal essas são informações muito importantes, que caso caiam em mãos erradas podem ter sérias consequências.

Entre elas a falta de explicação da necessidade e da finalidade de se obter um número expressivo de informações, uma vez que as empresas precisam explicar porque os dados estão sendo coletados e para qual finalidade eles serão utilizados.

Outro ponto importante que chamou atenção dos especialistas, é a falta de consentimento específico para a utilização dos dados com terceiros, ou seja, quando as suas informações são disponibilizadas para outras empresas.

De acordo com a LGPD, você precisa estar ciente e autorizar que esses dados sejam compartilhados e utilizados com finalidade de publicidade, por outras plataformas ou empresas, e isso em momento algum fica claro para os usuários.

O terceiro questionamento gira em torno do “vício de consentimento”. Essa expressão diz respeito a situações em que caso o usuário não concorde com a coleta de dados, ele não consegue utilizar a plataforma.

Tanto o Threads como o Remini, se tornaram febre e influenciaram as pessoas a baixarem os aplicativos, já que todos querem fazer parte dessa brincadeira, gerando um instinto de pertencimento.

Isso faz com que as pessoas nem ao menos se questionem sobre os riscos, o que as fazem utilizar as plataformas e aceitar os seus termos, sem ao menos entender ou questionar essas infrações.

A Europa não permitiu a vinculação do Threads

A LGPD que a legislação brasileira de proteção de dados, utiliza como base as normas criadas lá na Europa, pela GDPR (General Data Protection Regulation). Conforme a sua legislação e todos os itens que consta nela, a Meta optou por não lançar o seu aplicativo por lá.

Além disso, a Comissão de Proteção de Dados (DPC) da Irlanda, informou que o lançamento da rede social foi adiado, pois ela não segue as regras da União Europeia no que diz respeito à proteção das informações das pessoas.

Por isso é tão importante que os países estejam atentos a toda regulamentação. Assim, são capazes de não deixar nenhuma brecha para que as empresas possam infringir leis e normas.

A importância de conscientizar as pessoas sobre como proteger suas informações

Por mais que essas redes sociais e aplicativos sejam de uso pessoal, é de extrema importância que as pessoas estejam cientes sobre o perigo que essas plataformas oferecem para os seus dados.

Afinal, essas informações têm um forte impacto na vida pessoal e profissional de todos. Por isso, é fundamental que as pessoas saibam que estão compartilhando suas informações confidenciais. Caso elas se sintam prejudicadas, denunciem para os órgãos responsáveis, como a ANPD.

Assim, todos conseguem se proteger e utilizar esses aplicativos com consciência, sabendo até que ponto as empresas podem coletar suas informações. Isso facilita o dia a dia de todos, tanto na sua vida pessoal, como profissional.

Quer saber mais sobre como configurar sua privacidade e segurança nas redes sociais? Baixe agora nosso Guia de segurança para as redes sociais.


Conectando ícone de pessoas quadrado, bloco de madeira para o conceito de rede de pessoas de mídia. No canto inferior esquerdo, temos o texto "Como a coleta excessiva de dados pelos novos aplicativos impactam nossa vida"
Descubra como os novos aplicativos têm coletado nossas informações pessoais de forma excessiva


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